quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Bem-vindos a Óbidos! - Parte I

Nunca tinha pernoitado em Óbidos, mas era algo que estava nos planos. Não foi tarde, nem cedo...foi o destino escolhido para comemorar os 13 anos de casório! E como não gostamos de fazer a coisa por menos, em quatro dias decidimos conhecer dois hotéis: The Literary Man e Rio do Prado. Curiosamente, dois conceitos diferentes na mesma região e do mesmo proprietário (esta parte, descobrimos mais tarde).


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Foi já no escurinho da noite que chegámos à antiga Estalagem do Convento de Óbidos.
Estacionar foi
o grande problema, não estivesse o hotel integrado já na zona histórica (e muito visitada) de Óbidos e sem parque privativo. Um dos funcionários do hotel, que estava à porta numa das trezentas voltas que demos de carro, chegou mesmo a oferecer-se para retirar o dele. Não foi necessário, as indicações dadas foram o suficiente para encontrarmos um lugar perto. Mas valeu a atitude e o prenúncio de que iríamos ser bem acolhidos. E não nos enganámos.

BOOK AND COOK
Vou guardar os livros para o fim. Comecemos pela degustação.
O restaurante do hotel apresenta-se como um espaço acolhedor. Ao entrarmos, parece que acabámos de entrar na nossa cozinha (ou, pelo menos, naquela que imaginamos ter, em estilo vintage, no nosso palacete). Procura ser um espaço de cozinha ao vivo, onde reina o kamado (espécie de grelhador tradicional japonês). E, claro, com livros gastronómicos a encerrar a decoração.

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Não tive oportunidade de jantar no hotel (mais à frente, percebem porquê...), mas aproveitei o pequeno-almoço. Aprovado: com a diversidade necessária ao espaço, sem exageros, a qualidade dos alimentos é notória. No lugar de alguns produtos "pré-fabricados" que tendem a reinar na hotelaria, encontrámos bolos caseiros, diferentes compotas caseiras e muita fruta. Aliás, pela primeira vez, tive à disposição uma máquina de sumos "à séria"! O único menos na caderneta vai para os ovos - muito cozidos para o meu gosto.

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UM QUARTO NA CELA
O hotel é composto por diferentes tipos de quartos. Na parte antiga do convento, bem como na ala superior das celas, existem quartos e suites decorados de forma mais tradicional, com as famosas camas de ferro; na ala das celas das freiras, encontramos quartos eco-chic com materiais reutilizados. Foi num destes que ficámos. De facto, o cimento e a madeira que ambientam o quarto transportam-nos para um tempo em que as celas das freiras eram espaços vazios e de silêncio (com muitas histórias para contar, certamente). Ficam as histórias dos livros que, por razões óbvias, se espalham por todo o quarto. Sendo eu dada ao minimalismo, gostei bastante da decoração, embora não seja necessário levar a coisa ao extremo... Podia haver um espelhozinho no quarto, não?! E não confundir eco-chic com desleixo-nada-chic: o espaço exterior parece um pouco abandonado e os aparelhos de ar condicionado, que já por si não são nada atrativos, poderiam ter os tubos arrumadinhos no interior...

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LIVROS E RECANTOS
São mais de 65.000 livros a decorar todo o hotel (na sua maioria, em inglês). E não podia haver melhor decoração. Visto não haver elevador, a subida das escadas fazia-se como um passeio por uma biblioteca, com algumas paragens pelo caminho. Por todo o espaço, também são vários os recantos que convidam a uma pausa e ao conforto.

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O SALÃO DE REFEIÇÕES
O meu espaço de eleição: todas as paredes estão cobertas, do chão ao teto, com livros! E isto era o suficiente para amar este local, mas também há pequenos recantos que compõem o ramalhete e fazem deste um dos sítios mais agradáveis do hotel. Para não falar dos pilares em abóboda que carregam o peso do tempo, num ambiente escasso em iluminação natural, digno de qualquer biblioteca de uma verdadeira história.

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THE END
Ficou por explorar o The Literary Gin Bar, onde supostamente são servidos cocktails literários e os cubos de gelo são feitos com ervas aromáticas biológicas da horta do hotel. Ficou por experimentar um dos programas que o hotel oferece - a Biblioterapia & Relax ficou-me debaixo de olho.

No check out, e porque a nossa reserva foi feita online, convidaram-me a regressar ao salão para escolher um livro de oferta. Uma espécie de recompensa divina por me ter aguentado tanto tempo sem pôr uns quantos na mala (sim, estive quase tentada a pecar violentamente, confesso). Ao mesmo tempo, um desafio enorme: entre tantos, escolher apenas um! Digamos que foi uma tarefa algo demorada... 

Óbidos

E perguntam vocês: "que andaste a fazer para não teres jantado ou bebido um gin ou feito um programinha qualquer do hotel?". A resposta é simples: só quando chegámos ao hotel é que percebemos que estava a decorrer, nesse mesmo fim de semana, o MERCADO MEDIEVAL!

Portanto, minha gente, como devem calcular, a Targaryen que há em mim levou-me para outros caminhos...

[to be continued]

2 comentários:

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